Lazer

Do RPG à terapia para jovens adultos – Parte 2/ 3

Bom, como já contei no post anterior, eu já faço terapia, ou melhor, jogo RPG tem um pouco mais de uma década. E de lá pra cá só tenho boas lembranças desses dias em que passava horas e horas jogando com meus amigos (geralmente domingo o dia inteiro).

Os anos foram se passando e eu não tinha noção do poder que o RPG tinha/ tem como terapia.

Eu já tinha uma percepção que o jogo despertava/ desenvolvia certas habilidades como trabalho em equipe, oratória, interpretação, imaginação, empatia, raciocínio lógico e etc., mas não tinha uma clareza do assunto até ouvir um podcast que falava sobre o RPG como terapia.

Era na verdade um podcast que discutiu o trabalho de mestrado em psicologia clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/ SP da aluna Paula P. V. Guimarães com o título Sagas de rpgistas: um estudo junguiano acerca do encontro com o herói via Role Playing Games .

Eu diria que é um trabalho extenso, inovador e bem interessante, onde a pesquisadora mistura pessoas (jogadores) de gêneros, classes sociais, níveis de instrução (escolaridade) idades e avalia seus desenvolvimentos no decorrer de várias partidas (seções de jogos).

Ao final de cada partida são feitas perguntas a cada jogador individualmente, coletado informações para análises.

Como citado no trabalho de mestrado “segundo Hisada (1995), as histórias vêm sendo usadas há muito tempo para resolver questões de pacientes. Com o objetivo de que busquem a si mesmos, através da integração de suas personalidades, podemos lhes oferecer um conto, personificando seu problema. Através desse método, portanto, cria-se a possibilidade de elaboração de seus conflitos.”

“De acordo com Raynsford (1995), os mitos e contos de fada são descrições simbólicas de nossa história interna, de nosso processo de individuação, o que permitiu a Hisada (1995) utilizá-los como instrumento terapêutico. Hisada (1995) ofereceu, aos pacientes, estórias escolhidas de acordo com seus conflitos e momentos de vida, o que lhes permitiu identificar e reconhecer aspectos pessoais, na estória, como pertencentes a suas próprias realidades psíquicas”

“Como resultado, houve a integração de tais conteúdos e a maior percepção dos pacientes em relação a si mesmos. Tal instrumento, segundo a autora, viabilizou o encontro com camadas inconscientes, além de permitir, aos pacientes, relacionar as estórias narradas com outras áreas de suas vidas, para além da queixa inicial trazida à terapia, de modo a trabalhá-las.”

A autora relata ainda que o RPG traz a possibilidade de vivência de diversos tipos de personagens, mas que as pessoas da sua pesquisa escolheram sempre a figura do herói para representar nas aventuras de RPG.

O herói criado, como mencionado pela autora, não se trata de um personagem distante do jogador que o origina, na verdade, é alguém próximo a ele, abrindo-se a possibilidade de projetarem conteúdos e, então, os reconhecerem e conceberem como parte deles próprios a fim de os incorporarem.

Desse modo, o herói do universo de fantasia pode migrar para a vida real, com as devidas adaptações aos meios interior e exterior, tornando-se uma potencialidade do sujeito.

Ela afirma ainda que Regidos pela dinâmica do herói, nos preparamos para enfrentar as demandas do mundo exterior, através do desenvolvimento de nosso universo interior, por meio do fortalecimento do ego e aquisição de novos conteúdos e conhecimentos, tanto referentes ao meio exterior, quanto ao meio interior.

Desse modo, nos munimos de mais elementos que, por sua vez, nos permitem alcançar conquistas e vencer desafios, assim como adequar-nos ao meio social em que estamos imersos.

Escolha ser livre.”

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