Fazendo escolhas

Reflexões

Escolha o que perder e o que ganhar no próximo ano

Já há vários anos é bem comum para mim nestes dias tão festivos de final de ano, ao invés de apenas externar alegria, eu me fechar para refletir.

Reflito sobre vários assuntos dentre eles tudo aquilo que ganhei e perdi ao longo do ano. Não que seja uma regra universal ter que perder em algumas áreas para ganhar em outras mas porque nem sempre nesta vida apenas ganhamos ou apenas perdemos. E isso é bem interessante se paramos para pensar um pouco.

Pense bem, quantas coisas ruins perdemos e quantas coisas boas ganhamos ao longo de um ano? Ao longo de uma vida?

Lógico que o contrário também é verdadeiro mas vamos lá, pense comigo novamente, quanto dessas coisas que perdemos ou ganhamos nós temos o poder de escolher o que gostaríamos de deixar ir (perder) e segurar (ganhar mais/ manter)?

Como minha vozinha sempre diz: “Para tudo se tem jeito nesta vida, menos para a morte.”

Então tirando a morte (que geralmente é uma perda, algo ruim) 99,99…% das coisas nós temos o poder de escolher o que perder ou ganhar.

Coisas como deixar ir (perder) um relacionamento abusivo, que ao longo de anos só tem trazido dor e sofrimento a você e a pessoas próximas, deixar ir (perder) aqueles sentimentos de culpa por oportunidades perdidas, escolhas mal feitas, deixar ir (perder) o rancor, o ódio a avareza são coisas que nos fazem muito bem a curto, médio e longo prazo.

Assim também como segurar/ conquistar (ganhar) respeito, amor e carinho das pessoas próximas, segurar (ganhar) amizades verdadeiras, segurar (ganhar) o bom senso, o amor ao próximo, segurar/ conquistar (ganhar) o crescimento pessoal/ profissional.

Então, neste período, me vem a mente tudo aquilo que perdi e que ganhei e porque não dizer também aquilo no qual eu perdi mas que devo reconquistar? É, particularmente, um turbilhão de sentimentos entre tristeza, alegria, medo, frustração, ódio, amor, esperança e gratidão.

Mas são sentimentos e reflexões que me ajudam muito a começar mais um novo ano com metas, planos e sonhos.

O que você perdeu este ano? o que você ganhou este ano? O que você gostaria de perder e o que você gostaria de ganhar no próximo ano? Pare alguns minutos agora, reflita um pouco e Escolha suas perdas e ganhos para o próximo ano.

Escolha ser livre.”

Lazer

Do RPG à terapia para jovens adultos – Parte 3/ 3

Ainda sobre o trabalho de mestrado, comentado no post anterior Do RPG à terapia para jovens adultos – Parte 2/ 3, segundo Campbell (2007), “ao imergirmos em um mundo desconhecido, novas possibilidades se abrem e, ao penetrá-las, potencializa-se a ampliação de consciência.”

Afirmando que dessa forma “abre-se a possibilidade de transformação interior que nos levará não a deixarmos de ser o que fomos, mas, também, não sermos mais o que éramos, sermos um novo tempo de consciência, em que nos tornamos mais próximos daquilo que, verdadeiramente, somos.”

E a autora afirma que quanto ao “rumar ao desconhecido” surge “grande número de verbalizações relacionadas a um movimento de catarse no jogo de RPG, através das quais os sujeitos relatam descarregar todo o stress de suas vidas durante essa atividade.”

A catarse segundo a psicanálise seria quando é preciso que o herói trágico passe da “felicidade” para a “infelicidade” para que o espectador possa atingir a catarse. Por exemplo: a tragédia Romeu e Julieta, de Shakespeare, na qual os dois protagonistas fazem parte da elite da cidade e são mortos pelo seu amor proibido (Wikipédia).

Cerqueira et al (2005) afirma que “a conscientização de si mesmo é representada pela categoria apreensão de novos conteúdos.” E a autora afirma que “todos os sujeitos relataram que, através do RPG, é possível identificar características, até então, não concebidas como pertencentes a si.”

E ainda segundo a autora esses conteúdos “dizem respeito ao mundo exterior/outro como ampliação do círculo social, aumento da auto-estima e autoconfiança, preparação para o mundo através do exercício de papéis; a conhecimentos e habilidades através de, por exemplo, aumento da cultura, potencialização da criatividade, raciocínio e imaginação, desenvolvimento intelectual, crescimento pessoal, ampliação do conhecimento em certas áreas, aumento da noção de responsabilidades, melhora da argumentação; e em relação a si mesmo ao mencionarem o RPG. como facilitador de maior conhecimento do que se é com suas fraquezas e forças, vantagens e desvantagens, capacidades e limitações.”

A autora finaliza dizendo que o “RPG parece apresentar um aspecto terapêutico, ao promover o processo de individuação, à medida que oferece um campo potencial para o desenvolvimento psíquico dos jogadores. Os sujeitos de pesquisa sinalizam ter ampliado suas potencialidades heroicas de modo a incorporá-las a si mesmos, a partir do reconhecimento de suas projeções, incorporação de aspectos, até então, não concebidos como deles próprios. Com isso, podem se instrumentalizar para vencerem as batalhas de suas próprias vidas.”

Através dessa conclusão, a pesquisadora vê o RPG como uma possível via para averiguar em qual etapa da jornada heroica (post futuro) determinado indivíduo se encontra, o que indica a possibilidade de uma futura pesquisa a respeito do RPG como um instrumento de psicodiagnóstico.

E quanto ao que eu penso sobre o assunto? Continuo com a minha sessão de terapia todos os domingos (risos). E agora com um novo grupo <3.

Escolha ser livre.

Lazer

Do RPG à terapia para jovens adultos – Parte 2/ 3

Bom, como já contei no post anterior, eu já faço terapia, ou melhor, jogo RPG tem um pouco mais de uma década. E de lá pra cá só tenho boas lembranças desses dias em que passava horas e horas jogando com meus amigos (geralmente domingo o dia inteiro).

Os anos foram se passando e eu não tinha noção do poder que o RPG tinha/ tem como terapia.

Eu já tinha uma percepção que o jogo despertava/ desenvolvia certas habilidades como trabalho em equipe, oratória, interpretação, imaginação, empatia, raciocínio lógico e etc., mas não tinha uma clareza do assunto até ouvir um podcast que falava sobre o RPG como terapia.

Era na verdade um podcast que discutiu o trabalho de mestrado em psicologia clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/ SP da aluna Paula P. V. Guimarães com o título Sagas de rpgistas: um estudo junguiano acerca do encontro com o herói via Role Playing Games .

Eu diria que é um trabalho extenso, inovador e bem interessante, onde a pesquisadora mistura pessoas (jogadores) de gêneros, classes sociais, níveis de instrução (escolaridade) idades e avalia seus desenvolvimentos no decorrer de várias partidas (seções de jogos).

Ao final de cada partida são feitas perguntas a cada jogador individualmente, coletado informações para análises.

Como citado no trabalho de mestrado “segundo Hisada (1995), as histórias vêm sendo usadas há muito tempo para resolver questões de pacientes. Com o objetivo de que busquem a si mesmos, através da integração de suas personalidades, podemos lhes oferecer um conto, personificando seu problema. Através desse método, portanto, cria-se a possibilidade de elaboração de seus conflitos.”

“De acordo com Raynsford (1995), os mitos e contos de fada são descrições simbólicas de nossa história interna, de nosso processo de individuação, o que permitiu a Hisada (1995) utilizá-los como instrumento terapêutico. Hisada (1995) ofereceu, aos pacientes, estórias escolhidas de acordo com seus conflitos e momentos de vida, o que lhes permitiu identificar e reconhecer aspectos pessoais, na estória, como pertencentes a suas próprias realidades psíquicas”

“Como resultado, houve a integração de tais conteúdos e a maior percepção dos pacientes em relação a si mesmos. Tal instrumento, segundo a autora, viabilizou o encontro com camadas inconscientes, além de permitir, aos pacientes, relacionar as estórias narradas com outras áreas de suas vidas, para além da queixa inicial trazida à terapia, de modo a trabalhá-las.”

A autora relata ainda que o RPG traz a possibilidade de vivência de diversos tipos de personagens, mas que as pessoas da sua pesquisa escolheram sempre a figura do herói para representar nas aventuras de RPG.

O herói criado, como mencionado pela autora, não se trata de um personagem distante do jogador que o origina, na verdade, é alguém próximo a ele, abrindo-se a possibilidade de projetarem conteúdos e, então, os reconhecerem e conceberem como parte deles próprios a fim de os incorporarem.

Desse modo, o herói do universo de fantasia pode migrar para a vida real, com as devidas adaptações aos meios interior e exterior, tornando-se uma potencialidade do sujeito.

Ela afirma ainda que Regidos pela dinâmica do herói, nos preparamos para enfrentar as demandas do mundo exterior, através do desenvolvimento de nosso universo interior, por meio do fortalecimento do ego e aquisição de novos conteúdos e conhecimentos, tanto referentes ao meio exterior, quanto ao meio interior.

Desse modo, nos munimos de mais elementos que, por sua vez, nos permitem alcançar conquistas e vencer desafios, assim como adequar-nos ao meio social em que estamos imersos.

Escolha ser livre.”